Médico autônomo x PJ: qual paga menos imposto em 2026?

Quando o médico compara atuar como pessoa física (autônomo) ou abrir uma pessoa jurídica, a tentação é buscar uma resposta única. Só que a carga de impostos muda conforme renda, despesas, forma de recebimento, município e até a estrutura de equipe. Em 2026, esse cálculo ficou ainda mais sensível porque a tabela do Imposto de Renda foi atualizada e o teto do INSS também mudou.

O que 2026 trouxe para a conta: IR atualizado e teto do INSS maior

A Receita Federal publicou as faixas mensais do IR em 2026, com isenção até R$ 2.428,80 de base de cálculo e alíquotas que chegam a 27,5% nas faixas superiores.
Além disso, houve anúncio de uma regra de redução do imposto na folha que zera o IR para rendas mensais até R$ 5 mil e diminui o valor devido até R$ 7.350, com fórmula específica.
No INSS, o teto do salário de contribuição em 2026 foi fixado em R$ 8.475,55, o que influencia diretamente quanto pode ser recolhido por mês por quem contribui como individual.

Autônomo (PF): a vantagem é deduzir despesas, a desvantagem é a alíquota subir rápido

Como autônomo, o caminho costuma passar pelo recolhimento mensal e pelo ajuste anual, com imposto calculado pela tabela progressiva. O ponto forte é a possibilidade de reduzir a base com despesas necessárias da atividade quando escrituradas corretamente (Livro Caixa) e comprovadas — a Receita detalha exemplos de deduções aceitas.

Já o ponto que pesa é que, conforme a renda mensal aumenta, a alíquota marginal chega ao topo da tabela, e a sensação de “trabalhar para pagar imposto” aparece com facilidade. Some a isso a contribuição ao INSS (limitada ao teto) e, em alguns municípios, o ISS também pode existir para profissional liberal, dependendo da regra local.

PJ: dois caminhos comuns e um detalhe que muda tudo

Simples Nacional: depende do anexo e do Fator R

No Simples, a empresa paga um percentual sobre a receita conforme anexos e faixas de faturamento previstos na legislação. O Anexo III parte de 6% na primeira faixa, enquanto o Anexo V parte de 15,5% na primeira faixa.
A virada de chave, para muitos prestadores de serviço, é o Fator R: quando a razão entre folha (incluindo pró-labore) e receita atinge 28% ou mais, pode haver enquadramento em anexo com alíquotas menores; abaixo disso, tende a ir para o anexo mais pesado.

Lucro Presumido: previsível, mas nem sempre “barato”

No Lucro Presumido, serviços em geral usam presunção de 32% da receita para formar a base do IRPJ, conforme a Lei nº 9.249/1995.
O IRPJ tem alíquota de 15% sobre o lucro apurado, com adicional de 10% sobre o que exceder R$ 20.000 por mês (na prática, muita apuração é trimestral).
Além disso, entram contribuições como PIS/COFINS no regime cumulativo (3,65% como referência geral) e o ISS, cuja alíquota municipal costuma ficar entre 2% (mínima) e 5% (máxima).

Três retratos rápidos para decidir sem chute

  1. Renda menor e poucas despesas: se a receita mensal é baixa, a pessoa física pode ser mais leve, especialmente quando há deduções bem registradas e contribuição ao INSS dentro do planejamento.
  2. Renda média, sem grande equipe: aqui o Simples no Anexo V costuma ficar salgado; se o Fator R não fecha, a PJ pode perder vantagem.
  3. Renda alta e operação mais estruturada: com pró-labore adequado, folha consistente e faturamento elevado, a PJ tende a ganhar previsibilidade e, muitas vezes, reduzir a carga total — desde que o regime seja escolhido com base em números.

Um alerta de 2026: reforma do consumo em fase de teste

Em 2026, começou a fase de testes da CBS (0,9%) e do IBS (0,1%), com previsão de compensação e possibilidade de não gerar custo final para quem cumpre as obrigações acessórias exigidas. Isso afeta mais a emissão de documentos e controles do que o “imposto sobre a renda” em si, mas vale acompanhar.

Fechamento: o melhor modelo é o que deixa prova, previsibilidade e sobra no bolso

Na prática, “paga menos” é a soma de tudo: IR, INSS, tributos sobre faturamento, ISS do município, custos de manter a PJ e a forma como você organiza pró-labore e distribuição. É aí que um contador online para médicos ajuda a simular cenários com seus números reais e escolher o caminho que dá segurança sem desperdiçar dinheiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *